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Com bares liberados, Chapecó quadruplicou mortes; exemplo do que não fazer.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chega a Chapecó, cidade do oeste de Santa Catarina nesta quarta-feira (7) e quer usar a cidade como “exemplo” de seu argumento em defesa do “tratamento precoce”, o kit de remédios que diferentes estudos científicos pelo mundo já mostraram que não possui eficácia para a covid-19. Mas o exemplo que Chapecó possui para o Brasil é de como a flexibilização total de atividades pode ser fatal.

A iniciativa de Bolsonaro ocorre porque o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, gravou um vídeo nos últimos dias dizendo que “tudo foi feito” e que foi permitido aos médicos fazer as “todas escolhas”, inclusive, do tal “tratamento precoce”. O vídeo ficou conhecido no Brasil depois de postado pelo presidente.

Rodrigues gravou um vídeo no “Centro Avançado de Atendimento covid-19” mostrando leitos vazios e celebrando uma suposta melhora na pandemia na cidade.

Não foi explicado para quem não conhece a cidade que aquele era apenas um espaço montado às pressas entre fevereiro e março deste ano, quando a prefeitura perdeu todo o controle sobre a covid-19 em Chapecó. O Hospital Regional, o maior dos dois públicos que a cidade possui, segue lotado.

Lá, no hospital, nenhum vídeo foi gravado nos últimos dias e nem o prefeito falou dos números que mostram que, sob seu comando, Chapecó teve a pior gestão da pandemia desde março de 2020.

Chapecó, como muitas cidades do Brasil, foi enfrentando a doença como pôde. Teve relativo sucesso no início do ano passado. A primeira morte por covid-19 foi registrada apenas em 18 de maio – quase dois meses depois dos primeiros casos no Brasil.

Rodrigues venceu a eleição no ano passado e tomou posse em janeiro deste ano. O boletim epidemiológico da cidade registrava 123 mortos até 1º de janeiro de 2021. Um número contabilizado desde março de 2020…. – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/juliana-dal-piva/2021/04/07/chapeco-bolsonaro-pandemia-lockdown.htm?cmpid=copiaecola

Já em 5 de abril deste ano, a cidade contabiliza 537 mortos. Um total de 414 pessoas morreram de covid-19 apenas nesse intervalo de tempo de pouco mais de três meses.

Qual foi a principal mudança entre o fim de dezembro e o início de janeiro de 2021? Diferentes setores faziam pressão há meses por mais flexibilização das atividades. Em 7 de janeiro, a prefeitura sob gestão de Rodrigues cedeu.

Um decreto permitiu o funcionamento de bares e restaurantes sem restrição de horário. Até então, os estabelecimentos só podiam funcionar até a meia-noite. Chegou a ser autorizada a apresentação de música ao vivo, desde que respeitado o distanciamento social, uso de máscara, álcool gel e o limite de quatro músicos. Também foram liberados casamentos, aniversários e formaturas.

As consequências não demoraram para aparecer.

Além de quadruplicar as mortes, Chapecó ainda tem 193 pessoas internadas, das quais 129 na UTI do Hospital Regional. Em janeiro deste ano, esse número era de 69 internados, com 40 em UTI.

Em fevereiro, Rodrigues passou a ter que retomar as restrições e chegou a ter que fazer um lockdown parcial. Só depois disso, o volume de novas infecções passou a diminuir. Mas as famílias das 414 pessoas que perderam seus entes queridos nesse período vão carregar para sempre a memória desses dias.

O exemplo de Chapecó deve ser levado em conta para não ser esquecido sobre o que acontece quando a economia se sobrepõe sem consequências sobre a vida das pessoas.

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