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Pacto pelo desenvolvimento fez surgir o Porto de Suape

Complexo Industrial Portuário foi uma construção coletiva de vários governos estaduais.

Navio da Petrobras, trazendo álcool, foi o primeiro a movimentar o Porto de Suape, em 1983 / Foto: Divulgação/Suape

Navio da Petrobras, trazendo álcool, foi o primeiro a movimentar o Porto de Suape, em 1983.

Era uma manhã de terça-feira. Muita gente se aglomerou na beira da Praia de Suape para ouvir o então governador Eraldo Gueiros Leite discursar. Ele estava ali naquele dia 30 de abril de 1974 para lançar a pedra fundamental do Porto de Suape. “Suape é hoje nossa opção pelos caminhos do mar e será nosso amanhã (…) Aqui se desenrolarão novas lutas, com outros objetivos, totalmente apoiados nos ambientes das futuras fábricas, com pranchetas e máquinas nos navios que atracarão trazendo desenvolvimento. É Pernambuco que afirma sua vocação histórica, da dimensão do futuro às conquistas do passado. Suape é isso”, disse em tom visionário, sob aplauso dos espectadores. A insistência do governo de Eraldo Gueiros (1971-1975) em implantar um porto-indústria no Estado acabou lhe rendendo homenagem, com o empreendimento ganhando o nome de Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros.

Quem vê a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) funcionando hoje nem imagina que foi a tentativa de abrigar uma unidade de refino em Pernambuco, desde os anos 1960, que viabilizou a implantação de um porto-indústria em Suape. No livro Do sonho à realidade, o economista e ex-secretário de Indústria e Comércio de Pernambuco, Paulo Gustavo Cunha, conta que durante o mandato do governador Paulo Guerra (1964-1967) foi formalizado ao governo federal um pedido para o Estado acomodar uma Destilaria de Petróleo no Nordeste. O documento justificava que Recife seria o lugar mais adequado.

Em 1970, já na gestão Nilo Coelho, Paulo Gustavo Cunha coordenou a elaboração do documento intitulado <CF292>Subsídios para localização de uma refinaria de petróleo no Nordeste, que já apontava para a necessidade de se instalar um Distrito Industrial junto a um porto de grande calado. A necessidade de viabilizar o porto-indústria ganhou força quando o então presidente da Petrobras, General Ernesto Geisel, respondeu com desdém ao pleito do Estado para receber uma refinaria: “Pernambuco é um Estado sem futuro, pois não tem um porto industrial que possa abrigar grandes petroleiros”. “Nessa época, por coincidência, a Petrobras tinha rasgado o casco de um navio petroleiro quando fazia manobra no Porto do Recife”, conta Paulo Gustavo no livro, que traz importante contribuição histórica e documental para entender a trajetória de Suape.

REFINARIA

Apesar de muitas mobilizações e estudos técnicos, a refinaria não saiu do papel e só virou realidade 35 anos depois. A defesa do projeto atravessou onze governos estaduais e só se viabilizou no início do século 21, com o lançamento da pedra fundamental do empreendimento, em 2005, e entrada em operação em novembro de 2014. Mesmo sem a unidade de refino, o Complexo de Suape brotou nas terras dos municípios do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca. Ao longo de vários governos foram desenhados projetos e captados financiamentos para erguer Suape. Durante o governo Moura Cavalcanti (1975-1979), foi sancionada a Lei 7.763, de 1978, que criou a empresa Suape Complexo Industrial Portuário, com o objetivo de assegurar a implantação do porto. Essa é a data considerada como marco e que ontem completou 40 anos. A primeira operação portuária em Suape aconteceu em 1983, com a atracação do navio Araxá, da Petrobras, que movimentou álcool no píer de granéis líquidos.

Presidente de Suape entre janeiro de 1999 e dezembro de 2001, Sérgio Kano destaca que o porto é uma construção coletiva de vários governos, dispensando paternidades. “Suape de Padre Lebret, o visionário, de Antonio Baltar grande mestre e de tantos outros que conceberam seu magnífico projeto. Suape de Eraldo Gueiros que fincou a ‘bandeira’, de Moura Cavalcanti com obras, de Marco Maciel que criou a empresa Suape de Pernambuco. Suape de Roberto Magalhães, que investiu ‘dinheiro azul e branco’, de Arraes, de Jarbas que construiu o Porto interno e de Eduardo Campos, que alavancou grandes investimentos públicos e privados. Suape de Paulo Câmara num Brasil afogado na crise política e econômica dos anos recentes. Suape de sangue, suor e lágrimas, mas todos sempre pelo desenvolvimento do Estado”, define.

Fonte JC

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