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Arboviroses avançam em PE; incidência é superior a 200 casos por 100 mil habitantes de 5 a 9 anos

Nos dez primeiros meses de 2018, 22 mil pessoas adoeceram com sintomas de doenças transmitidas pelo Aedes em Pernambuco  (Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem)
Nos dez primeiros meses de 2018, 22 mil pessoas adoeceram com sintomas de doenças transmitidas pelo Aedes em Pernambuco.

O mais recente “mapa das arboviroses” em Pernambuco revela uma ascensão na incidência de dengue, chicungunha e zika nos nove primeiros anos de vida. Com quase 22 mil notificações das arboviroses ao longo de dez meses este ano, o Estado tem taxa de 196 registros (considerando a soma dos casos prováveis das três doenças) por 100 mil habitantes entre 0 e 4 anos. Na faixa etária seguinte, de 5 a 9 anos, esse índice chega a ser maior: 204,7. Os dados estão no boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que considera os dados até o último dia 6. Em meses anteriores, a curva de adoecimento já dava indícios de aumento na população infantil: no fim de maio, a incidência atingiu a taxa de 107,3 (0 a 4 anos) e 113 (5 a 9 anos). O índice subiu ainda mais em agosto, alcançando 177 para cada uma desses dois grupos.

“Mais importante do que considerar o número total de casos de arboviroses é observar onde e em que faixa etária os registros têm sido mais expressivos. Atualmente chama a nossa atenção a incidência aumentada nas crianças até os nove anos”, destaca a gerente do Programa de Vigilância das Arboviroses da SES, Claudenice Pontes. Em números absolutos, o retrato atual (dados até o último dia 6) do adoecimento provocado possivelmente pelo Aedes aegypti é mais significativo em idade produtiva (dos 20 aos 39 anos), cuja incidência é menor do que na população infantil. Entre os adultos desse grupo etário, são 112 novos casos a cada 100 mil habitantes.

“A maior circulação dos vírus entre as crianças pode levar a um risco aumentado de casos graves nessa faixa etária. Como a dengue, por exemplo, já circula há muito tempo, existem várias pessoas imunes (aos sorotipos da doença). Mas há mais pessoas compondo a população (aquelas nascidas após as epidemias, por exemplo), que nunca foram expostas ao vírus e permanecem suscetíveis ao adoecimento”, esclarece a médica pediatra Cynthia Braga, pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública do Instituto Aggeu Magalhães, unidade da Fiocruz em Pernambuco. Ela é coordenadora do Inquérito de Arboviroses do Recife, pesquisa em andamento cujo objetivo é traçar um panorama inédito dos casos novos e antigos, em diferentes níveis socioeconômicos e faixas etárias, das três doenças transmitidas pelo Aedes.

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Inquérito de Arboviroses do Recife vai traçar um panorama inédito dos casos novos e antigos, em diferentes níveis socioeconômicos e faixas etárias, das três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Para Cynthia, apesar de os números oficiais mostrarem que existem uma cocirculação dos vírus das arboviroses no Recife, os pesquisadores ainda não sabem com precisão como está o status imunológico (especialmente em relação à zika) da população que vive na capital. Neste ano, até o dia 22 de setembro, o município notificou 2.308 casos de arboviroses (1.815 de dengue, 426 de chicungunha e 67 de zika). Entre esses casos suspeitos, foram confirmados 736 casos de dengue, 231 de chicungunha e 6 de zika. Os bairros que despontam com maior incidência (por 100 mil habitantes) são: Ilha do Leite (187), Bairro do Recife (159), Morro da Conceição (101) e Mangabeira (98).

Prevenção

A incidência geral das três arboviroses, na população pernambucana, é de 116 – menor do que a taxa usada como parâmetro pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para sinalizar uma situação de epidemia (ao menos 300 casos a cada 100 mil habitantes). “Não estamos num surto (das três doenças), mas precisamos cuidar antes dos casos atingirem essa proporção, especialmente pelo fato de assistirmos agora a um cenário de aumento dos casos fora do padrão esperado para este período, considerado mais tranquilo, se levarmos em consideração a série histórica (da dengue) dos últimos dez anos”, alerta Claudenice.

Aedes aegypti é o mosquito transmissor de zika, dengue e chicungunha.

Ela ressalta que a ascensão tem sido observada especialmente nos municípios do Sertão, onde foi detectado alto índice de infestação do Aedes. “Os municípios das Regionais de Saúde 7 e 10 (cujas sedes ficam, respectivamente, em Salgueiro e em Afogados da Ingazeira) são os que mais têm registrado aumento no número de casos, em comparação com o mesmo período do ano passado.” Até o último dia 6, por exemplo, a Regional 7 (Belém do São Francisco, Cedro, Mirandiba, Salgueiro, Serrita, Terra Nova, Verdejante) teve 321 notificações de dengue e 136 de chicungunha. No mesmo período de 2017, considerando, respectivamente, as mesmas doenças, o número de casos foi de 99 e 41. Ou seja, houve aumento de 224% (dengue) e de 231% (chicungunha) nessa regional.

Fonte NE10

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