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Envelhecer bem e com saúde

Geriatra Sérgio Durão

O Brasil vem surpreendendo o mundo com a rapidez no aumento da expectativa de vida da sua população. Entre 1940 e 2016, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ganhamos 30 anos de vida e, em dezembro, passado, nossa expectativa foi atualizada para 75 anos e oito meses, em média. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estima que entre 2040 e 2050 a população idosa será maior que a de jovens, crianças e adolescentes.

Esta transição demográfica aconteceu muito rapidamente, comparando com a Europa que tem uma expectativa de vida cinco anos superior a do Brasil. Na França, por exemplo, foram necessários em torno de 150 a 200 anos para que os idosos passassem a ser 20% da população total.

“Em 40 anos vamos praticamente dobrar o percentual de idosos, de 10% para 20%. É algo desafiador para as políticas públicas, não nos preparamos para isso”, analisa o geriatra Sérgio Durão, diretor técnico do Instituto de Geriatria e Gerontologia de Pernambuco (IGGPE), do Hospital Português.

Para ele, isso traz um impacto no conceito de envelhecimento das pessoas que hoje estão vivendo mais e melhor graças à cultura do autocuidado, evitando hábitos nocivos à saúde e praticando exercícios físicos regularmente. Ao mesmo tempo, contam com as vacinas e o avanço da medicina na prevenção e tratamento das doenças. “A expectativa de vida dos nossos pais é maior do que a dos pais deles pela adoção dos hábitos de vida saudáveis”, analisa o médico.

Neste cenário, os idosos chegam com mais disposição e mais saúde até mais tarde e protagonizam uma mudança significativa em relação à sexualidade: a busca pela satisfação desencadeada a partir da pílula azul, liberada para uso há exatos 20 anos. “O impacto histórico do viagra para a sexualidade masculina foi o mesmo que os anticoncepcionais tiveram para a sexualidade feminina. Os homens passaram a ter vida sexual ativa por mais tempo, refletindo na vida sexual da mulher – embora isso nem sempre seja um binômio”, afirma o geriatra.

As pesquisas com idosos, segundo ele, só viam a disfunção sexual e não a satisfação. Um estudo britânico, anterior ao viagra, mostrou que depois dos 70 anos metade dos homens permanecia ativa, com duas relações sexuais, em média, no período de um mês. Mas só um terço das mulheres mantinham o mesmo ritmo de atividade. De acordo com o geriatra, as pesquisas mais recentes correlacionam a satisfação sexual com uma relação conjugal bem sucedida.

“A sexualidade é algo além do ato sexual. A atividade sexual pode se dar por carinhos, carícias, numa fase da vida em que alterações fisiológicas desfavorecem a relação sexual em si. E os casais que persistem numa relação conjugal que consideram satisfatória até mais tarde, tendem a ter uma vida sexual mais ativa e mais prazerosa”, diz o médico, acrescentando que as questões culturais, relacionais, de saúde, religiosas e espirituais também contam.

Sexo na terceira idade
Com 12 anos como médico, metade deles trabalhando em geriatria, Sérgio Durão diz que teve apenas um caso em que um casal, com menos de 70 anos, foi à consulta para tratar diretamente sobre a sexualidade. A mulher não sentia mais desejo e os dois procuravam uma forma de solucionar o problema.

“Sempre tenho que abordar ativamente quando chega um casal. Geralmente sinalizam que gostariam de ter satisfação sexual, mas ninguém fala disso se estiver com um filho ao lado ou mesmo com o cônjuge”, explica. De acordo com o geriatra, no Brasil a cultura das relações de gênero contribui para as dificuldades e pode ser considerada machista ao ver a sexualidade apenas no ato sexual, deixando a mulher num espaço desfavorável.

A mulher tem alterações fisiológicas naturais da menopausa synthroid weight loss pills. , atrofia da mucosa vaginal que causa o ressecamento, ou não se sente mais atraente, desenvolvendo questões psíquicas e de autopercepção. Já o homem mais velho se acha muito mais potente, procura com os urologistas algo para se sentir melhor e nem conversa sobre o fato com a esposa.

“Das especialidades clínicas, somos os únicos que abordam a questão na avaliação geriátrica ampla”, completa o médico. Para ele, o envelhecimento parece impactar mais a mulher em relação à atividade sexual e atesta que poucas que ficam viúvas ou se divorciam mais tarde procuram novas relações. Por outro lado, segundo o geriatra, as que tinham uma vida sexual mais pujante e entendem que isso faz parte da vida depois dos 60 anos, procuram sim continuar a ter satisfação sexual.

Fonte Folhape

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