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Centro de Juazeiro do Norte recebe IX Caminhada Pela Liberdade Religiosa

Cerca de 500 pessoas acompanharam a caminhada. (Foto: Alana Maria)

Juazeiro do Norte. “Respeito entre religioso e o não religioso” foi a voz da Rua São Pedro, na tarde desta sexta-feira (19), onde foi realizada a IX Caminhada Pela Liberdade Religiosa, que reuniu cerca de 500 pessoas. O ato surgiu após os casos de violência contra os terreiros do Município que sofrem, cotidianamente, com o preconceito. No evento, povos de terreiro, sobretudo da umbanda e candomblé, coloriram o centro da cidade, saindo da Praça da Prefeitura até a Praça Padre Cícero.

A caminhada surgiu porque no dia 21 de janeiro é celebrado o combate à intolerância religiosa. Mas acontece no dia útil que antecede para ter mais visibilidade. Foi desta forma que os praticantes de religiões de matrizes africanas resolveram lutar para serem vistos e reconhecidos. De acordo com Mãe Célia D’Oxum, do Ilê Axé Oxum Tunji, o ato não obriga ninguém a se converter, mas é uma celebração para mostrar o amor e a beleza do seu culto.

Crianças, jovens e adultos caminharam juntos mostrando sua crença. (Foto: Antonio Rodrigues)

Por outro lado, ela lamenta a ausência de representantes oficiais de outras religiões, já que o convite também foi estendidas às igrejas, por exemplo. Mesmo assim, ela ressalta a importância da caminhada, pois, acredita que é a conquista de uma luta histórica.

“Não estaríamos aqui hoje se não fosse nossos ancestrais. A luta começou lá atrás, na resistência, nos quilombos, nas casas de candomblé. Agora, temos a liberdade de sair nas ruas. Acho hoje mais fácil, porque tem leis que nos protegem. Mas a luta sempre existiu, só que agora ela está mais nas ruas”, explica a sacerdotisa.

De acordo com o estudante Sandro Alves, um dos organizadores, no final do ano passado houveram registros de terreiros atacados em Juazeiro do Norte. Por isso, durante todo o ano, o povo de terreiro organiza seminários, rodas de conversa e visita as escolas e universidades para pregar contra a intolerância. A caminhada é a culminância de todo este movimento. “É uma luta diária”, garante.

Após nove anos, a Caminhada Pela Liberdade Religiosa criou um comitê impulsionador que divide as tarefas do evento e articula os terreiros para estarem presentes.

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