Dilma ao New York Times: “Fui chamada de vaca 600 mil vezes”

Em entrevista veiculada em inglês e espanhol, Dilma Rousseff reforça o caráter machista do golpe e afirma “É preciso ter eleição [em 2018]”

A Presidenta eleita Dilma Rousseff concedeu entrevista ao jornal estadunidense The New York Times. Na entrevista, veiculada em inglês e espanhol, Dilma reforçou o caráter machista do golpe e ressaltou que é preciso eleições para que haja estabilidade política e econômica no país.

“É eminentemente um governo contra a mulher” disse sobre o governo golpista. Segundo a presidenta, há diferentes padrões para homens e mulheres: “Eles me acusavam de ser excessivamente dura e áspera, enquanto um homem seria considerado firme e forte. Ou eles diriam que eu era muito emocional e frágil enquanto um home teria sido considerado sensível. Eu era vista como alguém obcecada com o trabalho, enquanto um homem teria sido considerado trabalhador. Também tinham várias outras palavras rudes usadas. Eu fui chamada de vaca umas 600 mil vezes”.

Para Dilma isso é algo recorrente na política, pois “as mulheres enfrentam uma discriminação desproporcional”, o que não significa que as mulheres sejam fracas, pelo contrário, as mulheres são “muito resilientes e muito capazes”.

Quando perguntada sobre o que ela aprendeu sobre si mesma durante o período do golpe, Dilma afirmou que a vida demanda coragem. “Eu tive, durante minha vida, que enfrentar dois golpes: um pelos militares e outro pelo Congresso. Em um teve ameaças físicas de ser presa e torturada, no outro uma ameaça maior ainda para todo o povo brasileiro, os direitos dos cidadãos e a democracia”.

Sobre as eleições Dilma ressaltou que não importa quem ganhe, contanto que seja um jogo limpo, e que o vencedor traga estabilidade política, e reforça: “Mas é preciso que tenham eleições”. Para Dilma não é vergonha perder uma eleição, o que é vergonhoso é não saber perder uma eleição, “Você não pode mudar as regras do jogo enquanto ele está sendo jogado”.

“Foi durante meu governo que superamos a pobreza”, disse Dilma, consciente de que seu legado será as políticas sociais criadas em seu governo. A presidenta legítima encerrou a entrevista afirmando que “agora a população sabe que eles podem. Nós provamos que uma das principais fontes de riqueza do Brasil é seu povo”.

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